quarta-feira, 2 de maio de 2012

Relações de Vidro

Antes de tudo gostaria de lhe promover ao diálogo, seja aqui ou no facebook e até mandando um email. Comente ou contra-argumente. Não peço elogios nos comentários, mas comentários. Saber a opinião das pessoas é necessário para construir a nossa. Uma afirmativa ou uma pergunta, tanto faz. Expresse sua opinião em algo mais do que monossílabas. Bem vindo!



Relações de vidro.



Quando criança ouvia uma canção infantil que dizia assim:

O amigo é aquele que está ao seu lado
Na hora da sua alegria
Falando palavras reais
Que quebram a fantasia
Estejas no meio do ouro
Ou sentado na lama e no pó
O amigo é contigo e jamais te deixa só
E quando no vale da sombra da morte
Tiveres de passar
Ainda que muitos te deixem
Ele não te deixará
Fará da tua tristeza
Um motivo pra se entristecer
E só terá alegria ao te ver
Triunfar e crescer
Pois contigo está.
(Turma do printy - O amigo)

Eu nunca devia ter ouvido essa música. Pois, ela se tornou um manifesto de amizade para mim. Toda e qualquer relação eu passei a pautar por esses versos. E nunca chamei de amigo àqueles que não passaram entre cada letra. Isso me fez ser mais rigoroso no quesito das relações e me transformou em um cético de alto teor pessimista. Entretanto, esse olhar separatista despontado por meus olhos, creio eu, que algo de bom serviu, consegui ver que a maioria das relações são de vidro e que a menor pedrinha pode trincá-las ou até estilhaçá-las.

As relações de vidro são compostas como toda relação, acredito que o que as faz ser de um material tão sensível seja o mais obscuro nos corações. No fundo, todos somos realmente egoístas. Quando estamos mal sempre queremos que as pessoas percebam e venham nos acudir. Mas, é impossível alguém fazer isso se não dedicar a relação a um nível de cumplicidade e intimidade. Perceber o olhar de alguém sem precisar de palavras é um dom que só amigos possuem. E um casal incapaz de fazer isso merece mais a cruz do que amigos que não identificam isso.

Um momento ruim pode afastar as relações. Uma discussão destrói as alianças. Uma palavra desfaz todas as outras ditas antes. Ninguém está a fim de perdoar. Amigos se afastam e culpam os outros. Namorados dividem beijos mas não confidencias. Casais dividem o sexo mas falham na conversa. E sempre a culpa é do outro. Uma parte nossa, mas a parte maior sempre fica para a outra pessoa. Não suporto relações assim. Que acabam ao mudar de emprego, ao término do namoro, geram o término dos relacionamentos, impedem pessoas de se falar quando passam no mesmo corredor.

Não entendo esse mundo, essas pessoas. Por isso, me resguardo de relacionamentos, são tão frágeis que só de se pensar que o mínimo movimento os destruiria me dá preguiça em tentar. O ser humano, às vezes me passa pela cabeça, merece mesmo ser extinto em um apocalipse qualquer. Não é atoa que Deus só deixou uma lei, dita por Jesus, aos homens. Amem ao próximo, dizia ele. Parece tão óbvio, porém não é. As relações ficaram tão de vidro que se importar com os pensamentos e sentimentos do próximo é raridade. "Primeiro eu, depois você!", ao menor confronto, embate de ideias, revela que ninguém se importa. Se você se importa, danou-se, quase ninguém se importa mais. "Sobrevive o mais forte", essa é a lei do mundo. "Salve-se, salvando os outros" é a lei do amor. Um é vidro o outro é aço. Pena que as pessoas escolheram o vidro e estilhaçam-se umas com as outras todos os dias, e vivemos a catar pedaços e nos refazer porque desprezamos o mais simples conselho dos céus.



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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Aos perdedores com amor...

Os livros contam biografias daqueles que venceram, o telejornal fala histórias de quem se superou no trabalho e vive na nova classe média. Nossos heróis sempre deixam tudo para combater o crime. Os milagres dão pauta às ministrações cristãs. Os jovens que vencem, trabalham, sem drogas e boa saúde são os exemplos na boca dos pais. Quem economiza ou ganha na loto é sortudo e planejador. Os ricos são admirados por terem belas coisas. As mulheres bonitas conseguem emprego mais fácil do que as feias. Os magros se encaixam melhor nas poltronas apertadas das companhias de aviação.

Nesse mundo, quem abandonou tudo e se deu bem é quase um deus. No capitalismo, ser egoísta e próspero é um dom. O mundo é para quem abandona seus medos, compadece das pessoas mesmo tendo que morrer de fome. Bem-vindo perdedores! Esse mundo não é para vocês, mas já que tem que viver aqui, copiem-os e sejam melhores.

Todavia, o perdedor se olha no espelho e não tem forças. Porque no mundo dele tem pessoas que nunca venceram mesmo tendo todos atributos e terem feito todo o esforço para se sobressair. Os heróis deles preferiram ficar com suas famílias e seus amores do que viverem dupla personalidade. Os milagres nunca lhe ocorreram, pois os doentes ainda gritam de dor nos hospitais e os acidentados morrem no trânsito. Em sua realidade, muitos jovens usam drogas e se entorpecem para esquecer suas vidas, não há nada saudável por que o tempo dedicado ao trabalho é demasiado. Nunca teve sorte, nunca ganha nada. Planeja, mas, imprevistos acontecem e como dizem: "o pior é infinito". No mundo deles as mulheres bonitas são raras e a vida tornou, fisicamente, as pessoas feias e com expressão cansada. Os magros passam fome e os obesos se humilham ao passar em toda catraca de ônibus a caminho do trabalho.

Em sua realidade são mais demônios do que anjos, são humanitários por que entenderam que precisam colaborar uns com os outros para sobreviverem. O seu dia é o medo e se for muito piedoso sua família passará necessidade também.

O mundo de cá não foi feito para eles. Resta-lhes o céu. Um Deus piedoso. Opa, dizem por aí que Deus ama os que se dedicam e abandonaram ao pecado. Poxa, até o céu lhe tornou difícil. Se nunca venceram, como podem deixar de ser pecadores. Todavia, Jesus veio para os pecadores, embora ele não esteja mais aqui. Se tudo então que lhes resta é Jesus. Poxa, Jesus... cadê você?


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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Série - O Reino dos Céus #4

Jesus comema uma nova fase nas histórias sobre o Reino, veremos hoje uma nova série de exposições e  conteúdo sobre os últimos dias. Bem vindo ao sofá.

#4

Ouvi, ainda, outra parábola: Houve um homem, pai de família, que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe. E, chegando o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos. E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram um, mataram outro, e apedrejaram outro. Depois enviou outros servos, em maior número do que os primeiros; e eles fizeram-lhes o mesmo. E, por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito a meu filho. Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança. E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da vinha, e o mataram. Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? Dizem-lhe eles: Dará afrontosa morte aos maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe dêem os frutos. Diz-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, Essa foi posta por cabeça do ângulo; Pelo Senhor foi feito isto, E é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos. Mateus 21:33-43

Todo esse fervor em negar o evangelho por parte de alguns judeus foi enfaticamente criticado por Jesus. Os judeus já viviam tempos díficieis e ainda a religião havia se dissiminado como uma forma de controle e manipulação das massas, talvez uma coincidência com alguns dias de hoje, você deve estar pensando nesse momento.

Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando. Mateus 23:13

Jesus mesmo diante dessas coisas nunca se negou a delegar a missão do evangelho e prometer que ele haveria de ser escutado pelos anos que se seguiriam.

E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Mateus 24:14

E sobre o fim, Jesus também expôs a posição do Reino do Céus. Claro, com boas metáforas.

Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas. As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas. E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram. Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro. Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos. E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir.

Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens. E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe. E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos. Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois. Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles. Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles. E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos. Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; e, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros. Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos. Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado. Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.
Mateus 25:1-30

As duas histórias falam do despreparo. A primeira, do despreparo diante de seu próprio caráter e de sua própria vida diante do Reino. A segunda, do despreparo com os demais e as coisas confiadas pelo Pai para fazermos em vida. Afinal, nos últimos dias, Jesus prometeu estar de novo com seus irmãos. No Reino dos Céus:

E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai. Mateus 26:29

Nos demais livros sobre o evangelho de Jesus vemos praticamente as mesmas histórias, contadas com algumas palavras, às vezes, diferente. Ressalvo o livro de João que é extremamente diferente dos demais, inclusive sobre o Reino. Porém, veremos o que cada evangelista expõe de novo.

Vale ressaltar o amor de Jesus pela divulgação do Reino.

Ele, porém, lhes disse: Também é necessário que eu anuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso fui enviado. Lucas 4:43

Lucas traz um fato muito importante, que Jesus disse, sobre o Reino de Deus. Depois do Mestre ter passado por uma cidade chamada Samaria e ter curado 10 leprosos, foi abordado por um grupo de judeus fariseus sobre o quando viria o Reino.

E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós. Lucas 17:20-21

A versão do versículo acima é a Almeida Corrigida e Revisada Fiel, na minha mesa tenho uma outra versão, Almeida 2º Edição Revista e Atualiza, que diz: “porque o Reino de Deus está dentro de vós”, o detalhe importante a se dizer aqui é que o Reino de Deus, naquele momento, já estava na terra. Entre eles, sendo expressado em sua totalidade através de Jesus; e dentro deles, através da pessoa do Espírito Santo. Tamanho patamar que fez com que o Messias revelasse um outro fato a acontecer lá na frente quando estivermos em seu Reino.

E eu vos destino o reino, como meu Pai mo destinou, para que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos assenteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel. Lucas 22:29,30

Todavia, como o Reino também se manifesta na terra ainda encontramos a preocupação do Pai com seus filhos aqui.

E ele lhes disse: Na verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou pais, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo reino de Deus, que não haja de receber muito mais neste mundo, e na idade vindoura a vida eterna. Lucas 18:29-30

As promessas de consolação do Reino também alcançam duas classes de pessoas:
E, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. Lucas 6:20

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Mateus 5:10


Agora, rumo ao Livro segundo S. João e nossa derradeira conclusão. Até a próxima sexta.


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terça-feira, 17 de abril de 2012

Série - O Reino de Deus #3


De volta ao nosso estudo, vamos continuar de onde paramos, nas infindáveis discussões dos discípulos sobre quem é bom o suficiente para assentar-se ao lado de Jesus. Vemos que na sequência disso, em seus ensinamentos, o Mestre volta a falar sobre caráter e as características de quem entra no Reino.

Bem vindo ao sofá!

#3

Isso faz Jesus voltar aos ensinamentos do Reino:

E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. Mateus 18:3

Essa comparação da inocência das crianças como uma característica de caráter para os filhos do reino é mais tarde novamente citada. E para justamente ensinar os díscipulos a serem mais compreensíveis.

Jesus, porém, disse: Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus. Mateus 19:14

No mesmo contexto, ao ser abordado por um jovem bem rico, Jesus demonstra que o amor às riquezas podem impedir alguém de entrar no Reino dos Céus. Outra característica do próprio reino demonstrada através das características que não podem haver lá.

Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus. Mateus 19:23

Seguindo o livro encontramos algumas novas parabólas, um pouco diferente das anteriores, tratando de temas e contextos mais específicos, se podemos isso afirmar.

Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha. E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha. E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça, e disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo. E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou-lhes: Por que estais ociosos todo o dia? Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo. E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos derradeiros, até aos primeiros. E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um. Vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um dinheiro cada um. E, recebendo-o, murmuravam contra o pai de família, dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia. Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro? Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom? Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Mateus 20:1-16

A igualdade de tratamento, diferentemente dos reinos comuns da terra, o Reino de Deus trata a todos da maneira que convém ser justa e boa. Incrivelmente esse tipo de característica não era assimilada pelos díscipulos que insistiam em permanecer em algumas ideias completamente diferentes dos princípios do Reino.

Então se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o, e fazendo-lhe um pedido. E ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino. Mateus 20:20-21

Jesus trabalha cada vez na compreensão deles acerca da pluralidade do Reino. Sendo que muitas vezes os “desprezados pecadores” compreendiam muito mais a grandeza da Graça do evangelho de Jesus.

Mas, que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha. Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas depois, arrependendo-se, foi. E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e, respondendo ele, disse: Eu vou, senhor; e não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus. Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer. Mateus 21:28-32

Essas coisas, apesar de passar desapercibidas ao olhos da maioria daqueles judeus, eram tratas com bastante seriedade pelo Messias, que já sabia que toda a mensagem seria, por muitos, desprezada. Porém, não tardou em avisá-los nem das consequencias muito menos dos fatos que se dariam.


Paramos por aqui por hora. As comparações com o Reino tomam outro rumo, mas isso é assunto para sexta-feira.


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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Série - O Reino de Deus #2


Bom dia galera! Voltamos com o estudo e partimos para um dos melhores capítulos que falam, quase em exclusividade, sobre o Reino de Deus. É muito importante destacar entre cada capítulo da série que o Reino de Deus não é igual a um reino com um rei humano e os moldes que estamos acostumados a ver nos filmes e livros de história. Mas, isso faz parte da conclusão. Chegaremos lá. Bem vindo ao sofá.

#2
Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo; O qual é, realmente, a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos. Outra parábola lhes disse: O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado. Mateus 13:31-33

Provavelmente, você sinta uma facilidade, em uma primeira vista, em descriptografar as histórias. Vivemos em uma sociedade altamente simbólica e visual, além de carregarmos todo um contexto histórico das histórias cristãs. Claro que não é tão simples, e não foi nem para os díscipulos que estavam acostumados com aqueles exemplos no seu dia a dia. Vemos em Mateus 13:36-43 que eles precisaram de perguntar a Jesus sobre algumas histórias especificamente.

Agora, continuando a exemplificação, Jesus acrescenta mais uma história que desperta, pelos a mim, uma curiosidade maior.

Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo. Mateus 13:44

Em certo modo, Jesus sempre traz características em seus personagens. Seja profissão ou modo de vida. Essa história não nos revela quem é esse homem, apenas que ele encontra algo valiosíssimo para si, chegando ao ponto de vender tudo, pouco ou muito, o que tem para comprar o campo. Ele não usurpou o tesouro, ele não pagou o preço pelo tesouro, até porque foi por ele mesmo considerado mais valioso do que suas posses. Ele compra o direito de ter para si o tesouro. O que era? Jesus não disse. Que benefícios lhe traz? Não sabemos. Porém, o Reino dos céus é semelhante a isso. Ousaria tentar um definição, provavelmente incompleta, de que é exatamente o desejo incalculável de tê-lo. Ou melhor, que ele provoca um desejo, sem métricas, para se tê-lo. Talvez. Essa história me fascina, gosto de não fechar uma pensamento sobre ela. Bom, continuemos...

Outrossim, o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas; E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a. Mateus 13:45-46

Interessante essa nova história contada. Parece, se olharmos desapercebidos, que é tal qual a outra. Mas, dessa vez Jesus não compara o Reino dos Céus ao objeto que desperta a vontade de vender tudo para se tê-lo. O Reino é comparado agora ao homem que faz isso, só que não é qualquer homem, e sim um que estava incubido para fazer isso. Provavelmente, os discípulos tenham compreendido a metáfora para o plano da salvação nessa história só depois dos fatos ocorridos.

Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. Mateus 13:47-48

A última história da sequencia apresenta o final da narrativa. A mensagem contada pelo Reino, o crescimento dele e nele gerado, o desejo pela sua busca e também pela sua busca de filhos para o Pai e, por fim, a realidade de que muitos se aproximam dele por qualquer outros motivos, menos pelos que deveriam. Esses, infelizmente, um dia serão distanciados do Reino em que estiveram, mas que nunca tiveram em seus corações. O verso 52 do mesmo capítulo encerra colocando que todo escriba/professor ou responsável pela sua divulgação é como um pai que diante de sua família tira de seus pertences coisas novas e coisas antigas.
A seguir vemos na história do Mestre um fato marcante sobre o Reino. Jesus concede aos seus díscipulos a possibilidade de ligar e desligar algo na terra e em seu reino.

E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus. Mateus 16:19

Concordar, dizer, expressar, ser ouvido, ser atentido. Essas coisas são um dos variados significados desse versículo. Muitos homens vêem as manifestações do Reino de Deus das mais inimagináveis formas possíveis.

Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino. Mateus 16:28

Por exemplo, algum tempo depois Jesus levou alguns de seus díscipulos para um monte e eles puderam ver ele se manifestando em glória celeste. Porém, isso não os tornou mais santos. E sem dizer que ainda imaginavam o Reino de Deus igual ao reino de seus imperados romanos.

Naquela mesma hora chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: Quem é o maior no reino dos céus? Mateus 18:1


Paramos por aqui por hora. Veremos como Jesus, depois de tudo isso, voltou ao assunto de ensinar aos discípulos como não compararem o Reino dos Céus a um reino humano. Até terça-feira.


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terça-feira, 10 de abril de 2012

Série - O Reino de Deus #1


O que é o Reino de Deus? Existem tantas complicações para se definir algo que, após esse estudo, pareceu ser tão simples. Vamos então começar uma boa conversa sobre isso? Bom, nosso ponto de partida foi o seguinte pensamento: quem pode falar do Reino com propriedade é quem o conheceu por completo. Nesse caso, Jesus Cristo, então adotamos o estudo nas bases dos 4 evangelhos da Bíblia. Qualquer outro autor só deve ser levado em conta se, somente se, inspirar-se em Jesus. Então, relevamos todos eles e partimos direto para a fonte. Os textos estão com base na ordem de pensamento do estudo. Ou seja, vamos garimpando e ao final faremos uma recapitulação com conclusões. Não perca e se perder volte e leia na ordem. Toda terça e sexta, às 11 horas da manhã, vai sair um novo texto. Bem vindos ao sofá.

#1

João Batista anunciava o Reino dos Céus. Uma expectativa que, provavelmente, era de muitos judeus da época.

E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. Mateus 3: 2

O Reino era uma aspiração celestial, ao mesmo tempo que uma expressão terrena também. De certa forma, a busca por esse Reino era pelo esforço, e esse por sua vez foi o ponto de partida da pregação de Jesus. No sermão do monte essas primeiras impressões foram bastantes enfatizadas.

E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo. Mateus 4:23

Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus. Mateus 5:19,20

Nessa ordem teremos a oração do pai nosso, mas vamos pulá-la agora para lhe dar um destaque no final.

Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Mateus 6:33
Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Mateus 7:21

Importante destacar a oração do Pai Nosso durante a ministração do sermão, conhecido pelo nome de “sermão da montanha”. O verso: “venha o teu Reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”, traz um entendimento, que visto dentro do contexto da oração feita, nos revela praticamente toda uma síntese da ideia de Jesus sobre o Reino. Caminharemos nas leituras para retornar a ela em um momento perto do desfecho.

Uma outra característica do Reino, apresentada cadencialmente por Jesus aos judeus, é de que seu povo não seria apenas judeus e sim uma multidão de diferentes raças que se encontrariam ao encontrar o próprio Reino. O texto a seguir traz um contexto bastante interessante, quando o Mestre se admira de ver o entendimento da fé cristã em um romano, coisa que ele mesmo disse não ter encontrado entre os filhos judeus.

Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus; E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Mateus 8:11-12

Em todos os dias Jesus continuava a expor o Reino dos Céus, de diversas maneiras, e acrescentando novas temáticas e características no decorrer de cada discurso. Como príncipio, até aqui, ensinava as multidões e um grupo de díscipulos, que foram escolhidos para acompanhá-lo em tempo integral, até que impulsionou o ensinamento do Reino para um nível diferente: o estágio da vivência do próprio Reino. Jesus então designa a mensagem do Reino para cada um dos díscipulos. Não que eles tenham compreendido plenamente o que era, todavia esse fato é tão peculiar que merece ter nossa atenção aos acontecimentos decorridos dele.

E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo. Mateus 9:35

E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Mateus 10:7

Muitos ainda não tinham tido a revelação completa do Reino, o próprio João Batista era um exemplo, pois estando preso ainda pediu que seus díscipulos pessoais fossem até Jesus e lhe indagassem sobre todas essas coisas.Talvez, e enfatizo esse talvez, as coisas se dessem nesse modo pelo esforço que até o momento sempre tinham que fazer para alcançar a revelação das coisas espirituais. Penso sobre isso exatamente ao ler o texto em que Jesus deixa novamente claro que até aquele momento o esforço designava a recompensa do Reino, porém a partir daqui ele estabele um marco, um antes e um depois.

Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele. Mateus 11:11-12

Aquela época foi carregada de tensões, alguns humildemente procuravam Jesus para compreender os mistérios apresentados, como João Batista, entretanto, muitos por apego às suas doutrinas partiam para uma ofensa desmedida e abusiva dos ensinamentos de Jesus. Em determinado momento os fariseus (ramificação doutrinária dentro do próprio judaismo) partiram para a blasfêmia, a expressão declaradamente degradante do ministério e do Espírito de Jesus. O mestre revela a posição celestial diante dessas palavras contra seu Espírito e expõe as verdades diante dos olhos daqueles homens. Um dos textos que falam do Reino nesse episódio traz exatamente a afirmação de que seria incabível a ausência da presença de Deus no ministério do Messias.

Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus. Mateus 12:28

Naquele mesmo dia, explica S. Mateus, Jesus traz uma de suas primeiras parábolas, histórias, sobre o reino. E uma posição de alto contraste em seus ensinamentos, a explicação de que, ao contar as histórias, esse ato era para que as maravilhas do Reino fossem reveladas para alguns, enquanto para outros passassem desapercebidas.

Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. Mateus 13:11-13

Esse contexto é o da parábola do semeador, uma primeira metáfora para aquela situação onde todos ouviam a mensagem do Reino, porém cada um tinha uma forma diferente de recebe-la. Logo após acrescentou uma outra história, sobre uma semente plantada em boa terra, todavia ao crescer, traz um fato aos colheitores: a existência do joio. Um tipo bastante semelhante ao trigo, porém que não serve para os mesmos fins que o trigo. Isso é semelhante ao Reino dos Céus.

Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo; Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo? Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro. Mateus 13:24-30

À mesma conversa, tiveram mais duas histórias acrescentadas sobre o Reino. Ambas parecem dizer a mesma coisa, porém revelando características diferentes. O assunto, crescimento do Reino. O modo, na primeira, o crescimento dentro de uma pessoa ou algo a ela pertencente, que gera uma base forte e auxílio/descanso para os demais; na segunda, o Reino é o fator que gera crescimento, por si só, em algo específico.

Paramos por aqui por hora. Até sexta-feira.


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terça-feira, 3 de abril de 2012

Vamos para casa...




Sonho há algum tempo, para não dizer curiosamente há alguns anos, um mesmo sonho. Não necessariamente o mesmo, mas o mesmo tipo de sonho. Fugindo. Fugindo de algo, de um lugar, de alguém. Fugindo com alguém, sozinho ou em grupo. Fuga para algum lugar comum, desconhecido ou lugar nenhum. Não sei se na teoria dos sonhos de Freud isso teria algum significado e, como não sou especialista, prefiro tentar não descobrir. Logo, muitas noites prefiro não sonhar. Oro para não sonhar. E sonho pesadelos, fugas, ou coisas que esqueço ao acordar. Sonhar com gargalhadas, alegrias e coisas afins, creio eu, que nunca, ou me esqueci se houve, tive um sonho do tipo.


Porém, sonhos me lembram esperança. Daquelas esperanças bobinhas de que há um lugar melhor, um trabalho melhor, um povo melhor, um alguém melhor. Passo então a gostar de sonhar, não os sonhos que temos enquanto dormimos, e sim daqueles de olhos abertos, olhando para lugar nenhum e onde os pensamentos bem acordados conseguem tecer a mais complicada possibilidade de tudo dar certo.


Todavia, é bem sabido que esses sonhos nos deixam um pouco abobalhados. Com os olhos lá e os pés aqui podemos nos perder em uma falta de sincronia do nosso corpo. E aí bate uma imensa saudade de casa... Não a casa de agora, mas aquela de lá. Lá do sonho, lá longe. Entendemos que precisamos voltar para ela, um saudosismo de um lugar onde nunca estivemos de verdade. E então ouço um certo ceticismo ao pé do ouvido: "deve mesmo ir?".




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terça-feira, 20 de março de 2012

Na real...



Conversar é muito bom. Há tantos assuntos possíveis que muitas vezes ficamos até sem saber qual assunto puxar. O engraçado de conversar é que descobrimos opiniões, expressamos sentimentos, falamos o que provavelmente nunca faríamos realmente, todavia sempre nos divertimos. Não no sentido completo da palavra, mas nos divertimos por que quando falamos e ouvimos aprendemos e nos completamos. Isso gera uma sensação boa e acaba por divertir o dia a dia massacrante. 


Diga-me então por que cargas d’água têm gente que só fala da mesma coisa. Sempre o mesmo assunto. Se você ousar puxar outro assunto a pessoa ainda consegue de um jeito ou de outro mudar todo o diálogo para aquela mesmice de sempre. 


Você se afasta aos poucos. Afinal, ninguém sobrevive a um relacionamento tão chato. De certo alguns sobrevivem, mas exceções não são as regras. 


Por fim, fica a dica de hoje. Se você fala de illuminattis, anjos e demônios, vida ou morte, céu ou inferno, pecado e julgamento. Por favor, compre um livro de auto-ajuda do tipo – Aprenda a manter conversas e bons diálogos – leia e estude esse assunto. Talvez você encontre um capítulo sobre: “pergunte a pessoa primeiro como ela está”, “comente algo que viu na TV”, “fale de coisas divertidas em dias chatos”, enfim, sei que um livro de auto ajuda irá ser bastante útil em voltar a ter amigos mais frequentes e sem esforço. Talvez assim você cumpra sua missão de amar ao próximo, afinal o “próximo” vai estar perto de você, né?! Fica a dica.



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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O meio-fio


Caminhar por longos quilômetros é sempre bastante cansativo. Já fiz boas caminhadas por Brasília, de uma ponta a outra ou de um ponto ao outro. Caminhando sem rumo ou inventando um rumo. Em um colóquio de uma pessoa ou em um monólogo entre duas ou mais pessoas. Caminhar faz bem - é o que os médicos dizem - ao coração, para melhorar a musculatura ou aliviar a preguiça em um belo ou grosseiro dia. Porém, uma coisa é certa: caminhar cansa.

Se sua caminhada for daqui para ali talvez não canse. Mas uma boa e longa caminhada cansa. Portanto, faz-se necessário uma pausa. Em uma caminhada prevista, possivelmente, haverá pontos de pausa. Em caminhadas arranjadas pode não haver nenhuma. Nesses casos, durante o diminuir do ritmo dos passos, o corpo vai lentamente trocando o vigor pela procura de um lugar de descanso. Quando não se encontra se inventa. Se não há banco a pausa pode ser muito bem dada em um meio-fio.

E ali, no meio-fio, que se passa as melhores reflexões: "porque entrei nessa empreitada", "me sinto realizado e estou quase chegando", "devia ter trago algo para comer", "posso voltar de ônibus", "terei que voltar tudo", "não achava que o caminho era tão longo", etc. Esse período de descanso é quando sua mente mais vai questionar e julgar se foi boa ou não essa decisão. Outras pessoas poderão passar perto e tomar algumas opiniões próprias, todavia, somente você saberá se valeu ou não a pena e o que fará a seguir.

Partindo então para o ponto, óbvio, em que se usa os três parágrafos anteriores para se fazer uma analogia qualquer da vida, pretendo-me utilizar de um único texto e uma afirmação:

O texto:


Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo.
Mateus 13.44

A afirmação:

Se ousar caminhar em busca do espiritual vai chegar em um momento de extremo cansaço e o meio-fio será a melhor opção para uma pausa em um terreno desconhecido. Parar no caminho atrairá a atenção e preconceito de muitos, além do fervilhar de pensamentos na sua mente sobre a decisão tomada, se foi sensata ou não. Portanto, parar é digno para aqueles que peregrinam, se levantar e voltar a procurar, encontrar e viver o que encontrou é uma característica, única, concedida para aqueles que buscam o Criador.

É uma opinião. Boa semana.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Existem muitas formas de acreditar. Porém, apenas uma forma de não acreditar. Engraçado como surge visões de uma mesma religião. Engraçado como as pessoas realizam o sincretismo entre sua realidade, sua sociedade e sua crença. Isso é bom ou ruim? Ainda não sei.

Se eu fosse dizer algo sobre religião hoje, diria apenas para você acreditar, se você é do grupo dos que acreditam, porém não acreditar apenas. E sim, tomar uma ação em direção ao que acredita.

Não consigo desejar mais o céu do que a realização da minha missão. Só consigo ver o céu como o resultado de uma missão cumprida, como uma espécie de aposentadoria para aquilo que me dediquei. Quero estar lá. Se Deus me perguntasse hoje se eu gostaria de ir para lá de uma vez, muita probabilidade seria dizer sim. Mas, confesso o pecado de desejar estar na terra. Desejo ver justiça no lugar de onde a roubaram. Desejo ver vida onde plantaram morte. Desejo ver amor onde habita o ódio. Desejo muitas dessas coisas. Desejo ser humano para entender os humanos e vê-los como irmãos aqui. Lutar para que não sofram, sofram menos ou ao menos tenham paz no meio do sofrimento. No céu não batalharemos por isso, por que lá não haverá sofrimento. Todavia, penso que meus irmãos precisam que eu seja irmãos deles aqui, na terra. Desejo ver Deus, estar nas moradas eternas. Gostaria muito de ir quando meus irmãos estivessem prontos. Nem todos estarão eu sei. Prefiro, então, lutar para que a maioria esteja enquanto eu tiver tempo para estar aqui.

Pai, lembra-nos da nossa missão. Lembra da nossa verdadeira religião: visitar os órfãos e as viúvas em suas aflições. Lembra-nos do nosso propósito: anunciar o evangelho por todo o mundo. O que eu mais gostaria era de ver cristãos lutando pela união, pelo amor e pela fé. Talvez isso seja impossível, mas como disse no início do post. Existe muitas formas de acreditar, talvez a minha seja acreditar e duvidar ao mesmo tempo até que as dúvidas sejam dissipadas pela presença da verdade completa.

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domingo, 1 de janeiro de 2012

COEXISTA

"COEXISTA". Essa é a palavra para 2012. Deixemos as diferenças, as guerras, os preconceitos. Passemos a existir juntos. Gastaremos nossos textos para falar disso. Inspirar isso. Feliz 2012.


"Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados,
Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,
Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.
Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;
Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;
Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós."
Efésios 4:1-6

Seja bem vindo ao sofá, um ano bom para nós.


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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Olhos. Meus olhos. Seus olhos. Nunca nossos olhos.


Incrível o que os olhos determinam ao seu portador. Não é só uma questão de contemplação, como também uma influência sobre as ideias.

A maldade. Um determina que todos podem controlar, outro determina que ela é inevitável. Aquele que diz a primeira sentença obtém das experiências, suas ou de outros que viu ou soube a história, o fato determinante para seu julgamento. O outro faz a mesma coisa. Ambos se contradizem, ambos provam (pelo menos a si mesmos que estão corretos). Embora um ou ambos possam estar errados, para os indivíduos sempre será difícil essa aceitação.

A pobreza. Alguém se vira e diz que as pessoas são reféns dela, outro diz que é possível vencê-la e se manter aquém de suas influências. Novamente o fato de um e de outro é determinado pela crença, outrora construída empiricamente ou por suas experiências.

Tendências. Opiniões. Previsões, etc. O olho do homem faz dele próprio refém. Ver não significa ver a verdade. Ouvir não significa ouvir a verdade. Sentir não significa sentir o que realmente é. Assim como degustar ou cheirar pode facilmente seguir a mesma sina.

O problema é que o meio de contato do homem com o exterior é através dos sentidos. Esse por sua vez dá forma ao racional e o constrói. Então, os homens sempre serão manipulados e aqueles que conseguirem evoluir dessa fase e entender que o racional pode dar significado ao sensorial mesmo depois de por ele mesmo ter sido moldado, essas pessoas serão por fim as que terão os meios e as ferramentas para manipular ou libertar os homens da alienação.

Boa dia.

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domingo, 20 de novembro de 2011

Envenenados

Clique na imagem para ver a fonte de sua origem.

Bem vindo ao sofá...

E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus.Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe.E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade.E quando Jesus ouviu isto, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem, e segue-me.Mas, ouvindo ele isto, ficou muito triste, porque era muito rico. Lucas 18:18-23

Há aqueles que pensam que esse homem se tornou um exemplo para que todos os ricos se auto-examinem. Não acredito que seja esse o ponto principal a trazer para nossas vidas. O ponto principal é conseguir rastrear o que mais torturou esse homem na indicação de Jesus.

Ele seguia a lei em suas regras mais rígidas. Elas sabia os mandamentos. Frequentava os templos. Não era um pecador, no sentido difundido da palavra. E desejava ir ao céu. Quem pode acusá-lo de negligencia? Um esmero adorador judaico. Então o problema era que ele era um murrinha? Ele não poderia ser murrinha se seguia a lei. O problema era ser rico? A lei judaica nunca proibiu o acúmulo de bens. Os patriarcas eram muito ricos. Os reis. Vários judeus dignos de exemplo religioso. Qual foi o problema?

Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz;Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! Mateus 6:19-23

O problema desse homem era o lugar onde estava seu coração. Ele não confiava em viver a mercê do acaso, ele acumulava e vivia disso, investia, doava, mantia, vendia, comprava. Obedecer a lei era fácil, obedecer Jesus era díficil. "Vender tudo e repartir!". E o amanhã? E o hoje? E o trabalho acumulado? E a justiça? O teste desse homem era ser capaz de desgrudar seu coração daquilo que havia construído. Ele não conseguiu.

Quando Deus te pede tudo, não significa que ele vá requerer tudo. Lembra de Abraão? Ele havia conectado seu coração ao filho. O seu desejo de anos. Deus pediu o filho. Abraão deu o filho. Nesse caso Deus preservou o filho pois sabia que o coração dele havia se desprendido e voltado ao lugar onde deveria estar. Outras vezes Deus pede tudo, e requer tudo. Jesus fez isso com seus díscipulos, Mateus compreendeu isso, mesmo sendo rico ou um Classe C+ da época.

O lugar onde está nosso coração é onde habitará nosso tesouro. E quando temos que nos sondar é isso que devemos encontrar. Muitas vezes nosso dia a dia nos envenena sem percebermos, começamos a construir, lutar, requerer, pedir, ganhar coisas e sem ao menos notar essas coisas vão se tornando o foco, não um dos focos. O FOCO. Da nossa vida.

Relacionamentos envenenam. Muitos desejam tanto casar, namorar, fazer sexo que sem perceber suas mentes vão se tornando máquinas de formar lembranças e imaginações para esse fim. O seu coração vai sendo colocado lá.

Grana, grana, grana. Trabalhar, proteger a família, ter dinheiro para boas ações, não importa o motivo. A sede pelo dinheiro pode envenenar, pode destruir a mais boa intenção e transformá-la em uma ganância embutida.

Sonhos, projetos. Isso é bom, mas não a qualquer custo. Um veneno sutil que começa a remoldar os limites do seu caráter. Coisas ilícitas vão se tornando lícitas por um bem maior, um atalho. E o veneno vai se espalhando.

Poderia citar bilhões de exemplos, qualquer coisa pode ser exemplo. Qualquer sentimento, desejo, sonho, vontade pode se tornar venenoso. É por isso que a bíblia diz:

Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. 1 João 2:16-17
Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. Provérbios 4:23

Como eu já envenenado posso ser sarado? Bom, segue o seguinte episódio:

Um dia por conta das peripécias do povo judeu eles foram atacados por cobras peçonhentas e Moisés foi dirigido por Deus a artesanalmente construir uma serpente e levantá-la no meio do acampamento. Todos os que foram envenenados podiam olhar para o estandarte da cobra e seriam imediatamente curados. Por que Deus não curou logo todos se era tão fácil? Não sei. Mas acredito que tinha algumas pessoas que por teimosia não olhavam.

Leia esse versículo:

E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:14-15

Jesus nos disse isso. Olhe para ele. Ele prometeu fazer o resto.


Boa noite. Boa semana.


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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sexo, a lenda urbana mais vendável da história.



Desejo é o que impulsiona o ser humano. Antes de desejar alguma coisa o ser humano é um ser morto de preguiça, sua motivação é levada pelas necessidades e para elas se realizarem o desejo tem que lhe ocorrer. Isso é uma premissa tão simples que funciona para tudo, inclusive para o sexo.

Sexo, SEXO, S-E-X-O. Quatro letras que perturbam, atiçam, impulsiona, intimidam. Para cada um ela levará um sentimento. E ao cruzar religião com sexo não há um citadino ocidental que não pense na palavra "pecado" no meio da nuvem de associações que sua mente fez. Vou nos poupar de falar sobre o motivo do porque desde eras antigas o sexo é visto sempre com maus olhos. Para falar exclusivamente de desejo. Todavia, não há nada melhor para introduzir do que esse belíssimo vídeo.



Agora vou lhes trazer uma pesquisa feita por Dan Ariely sobre excitação para que possamos repensar alguns mitos.

Sexo sem proteção, traição, menáge, sexo selvagem. São coisas que a maioria das pessoas diriam não fazer, e outras só de pensar em algumas hipóteses obviamente teriam um bom motivo de briga. Para descobrir se as pessoas em estado de extrema excitação poderiam mudar de ideia sobre coisas que lhe pareceriam óbvias, realizaram uma pesquisa com alunos de uma faculdade renomada. Assim, ao escolher os participantes foi-lhes dado um questionário para responder com a "cabeça fria" depois disso os convidaram a refazer o teste, só que dessa vez excitados. Bom, vejam os resultados:

"Em todos os casos, nossos brilhantes jovens responderam de maneira bem diferente quando estavam excitados e quando estavam de "cabeça fria". Nas 19 perguntas acerca das preferências sexuais, quando Roy e todos os outros participantes estavam excitados, previram que o desejo de praticar uma série de atividades um tanto extravagantes seria quase duas vezes maior (72% maior) do que quando fizeram as previsões de cabeça fria. Por exemplo, a ideia de desfrutar do contato com animais quando estavam excitados foi mais que duas vezes mais atraentes do que quando estavam "frios". Nas cinco perguntas sobre a propensão a atividades imorais, quando estavam excitados, previram que a propensão seria mais de duas vezes maior (136%) do que tinham previsto de cabeça fria. De maneira semelhante, no conjunto de perguntas sobre o uso de camisinha, e apesar dos avisos que ouviram com tanta insistência no decorrer dos anos acerca de sua importância, a previsão de abrir mão das camisinhas era maior na excitação do que com a cabeça fria. Em todos esses casos, deixaram de prever a influência da excitação sobre as preferências sexuais, a moralidade e o sexo seguro."
(ARIELLY, Dan. 2008, p. 79)

Então, duas coisas podemos retirar dessa pesquisa:

1º As pessoas em estado de excitação se transformam completamente. A excitação pode ser qualquer uma: no trânsito, ao receber algo ou até mesmo a sexual. O estado de êxtase pode fazer com que as pessoas reajam segundo instintos que outrora nem poderiam imaginar.

2º No caso sexual, a única forma de evitar com absoluta previsão de acerto, algo que não deveria acontecer é realmente evitando o próprio momento de acontecer.

Ou seja, se queremos que no carnaval as pessoas usem camisinha. Sim, elas terão que recebê-la antes. Por que na hora crucial será improvável o abandono para procurar uma farmácia. E quanto tratamos de religiosidade e abstinência?

O sexo por alguns é visto como pecado, outros vêem como pecado a multiplicidade de parceiros, há ainda a minoria que não vêem pecado em nada. Todavia, querer não fazer algo implica crucialmente em manter a cabeça fria. O êxtase tira o poder da própria das pessoas e dá aos seus instintos, que podem ser por ela desconhecidos. Então, acaba-se o mito do herói. O desejo é controlado até ser transformado em excitação e é daí ao êxtase. Você pode ter conseguido não fazer algo nesse estágio. Mas, enquanto brincar de herói acabará por descobrir a triste realidade de que você não irá conseguir fazer isso em todas as vezes.

Não vim falar de pecado ou liberdade, certo ou errado. Apenas de limites. Se deseja mantê-los já sabe como e se deseja quebrá-los basta fazer o contrário. Você é responsável pelas suas escolhas e não um post de um blog qualquer.





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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Uma (des)Crônica


A cidade amanheceu fria e em um cinza que anunciava chuva. Não qualquer chuva, mas aquela chuva suja, cheio de resíduos acumulados pela poluição e seca de mais de cem dias sem chover. Apanhar o trânsito para o trabalho de moto é sempre um desafio, ele se vestiu de inúmeros agasalhos e fazendo uma prece ligou a magrela e partiu.

O caminho era tão comum que sua mente nem mais se ligava no que passava. Como se estivesse no piloto automático foi dar-se por conta de si ao sentar diante do PC do escritório. Os mesmos rostos, os mesmos “bons dias”, uma repetição que ia ser quase absoluta se não fosse pelo fato do escritório da torre empresarial do lado estar desocupado. Um ponto vazio na vista da janela, uma vista tão boa que qualquer ironia sobre ver só janelas e cinqüenta centímetros do céu seria desnecessária.

Como as pessoas podem fazer sempre a mesma coisa? Já vivemos tão pouco — pensou angustiadamente. Ultimamente nada fazia sentido, nem os sonhos, nem os planos que fizera para alcançá-los. Porém, um dos maiores vícios era imaginar. Lembrava exatamente do primeiro dia que isso começou e dizia para si mesmo que lembrava qual tinha sido a primeira vez que fez isso conscientemente. Nunca mais largou, a esse vício muitos outros se somaram e aparentemente de nenhum se libertou.

Continuar contando seu dia seria o mesmo que matar-nos de tédio. Sentiríamos uma dó tão grande que o assassinaríamos por pena ou nos suicidaríamos de desgosto, todavia das opções nenhuma o salvaria. Naquele dia a única coisa que o salvaria era ouvir. Ah! Mas para isso precisaria um milagre: deixar a surdez. E todos sabem que milagres não existem. Ou existem?!


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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Quando o Amor precisa do Ódio



Já ouvi tanta balela sobre o amor e muito mais sobre o perdão. As pessoas não entendem o primeiro como
se poderá dizer que entendem o segundo?

Sobre o amor há filosofia, há empirismo, há especulação, há memória, há imaginação. Sobre o perdão nada há. O ser humano praticamente, para não dizer nunca, pensa sobre fatalidades a si ou aos seus próximos. Traição, mesmo que existe no fundo do pensamento a possibilidade, ninguém quer acreditar que isso irá lhe ocorrer. Ou seja, por mais que pensássemos negativamente, não há um só ser que realmente anseie pela sua auto-destruição (nota: ok! talvez haja um, mas tirando as pessoas que sofrem de problemas de distúrbios como esse, falamos do que é comum. E não de exceções quase inexistentes).

Ouvi certa vez sobre a história de dois irmãos, passo-lhes a contar a fim de no final poder comentar o que penso a respeito do tema.

Eis seus nomes: Esaú e Jacó. Ambos brigaram desde o ventre contou a mãe. Ao se definir qual iria ter a chance de ser o primeiro dos gêmeos a ver a luz do nascimento, se atracaram os bebês como se brigassem no ventre pela preferência. E daí por diante, a cada dia, os dois irmãos iam disputam sobre tudo dentro da casa.

Conta-se por aí que o mais novo, Jacó, se apegou muito a mãe. Por outro lado, Esaú, se apegou ao pai. Suas índoles eram diferentes, assim como seus traços físicos. Pela lei e tradição cultural/religiosa em que viviam o primogênito detinha as bençãos da família, enquanto o outro irmão viveria para servi-lo.

Quando o pai envelheceu bastante e se aproximou a época de designar as bençãos ao filho mais velho, esse foi ao campo caçar algo para cozinhar ao pai antes de tal ritual. O mais novo, juntamente com sua mãe, ousaram montar uma trapaça em cima do irmão, enganar o pai para que abençoasse o mais novo ao invés do primeiro filho. E assim tocaram o plano: disfarces, cozinharam uma carne que já estava lá, disfarçaram a voz do menino e o levaram ao pai, que já estava cego da velhice.

O pai enganado, abençoou o mais novo. Jacó então se escondeu. Quando o mais velho chegou com a caça, a preparou e levou para o pai. Ao chegar lá, ouvir o velho dizer que já o tinha abençoado. E daí em diante Esaú o odiou para sempre. Ou melhor para sempre, não.

Jacó ao ouvir que seu irmão estava nervoso juramentando-o de morte, fugiu. E por longos anos nunca mais se falaram. Até o dia em que Jacó resolveu voltar a terra de seu pai, depois que já havia ficado rico e constituído família. Porém, Jacó lembrou do ódio do irmão e começou a  imaginar como ele seria torturado e escorraçado de lá.

No meio do caminho de ida encontrou seu irmão com um grupo de pessoas que o seguiam. Gelou corpo e alma. Porém, estranhou quando Esaú lhe dirigiu um abraço e um longo sorriso. Provavelmente Jacó se perguntou o resto do caminho por que cargas d'água havia amor no lugar do ódio que conheceu.

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Nos vemos em breve no sofá para terminar esse colóquio que começamos, caso se empolgue com o tema venha terminar o papo no domingo, em Brasília, na Igreja Cristã, hotel Confort Suítes, Taguatinga Centro. Não tem erro nenhum, se ainda tiver dúvidas clique aqui. Querendo Deus estaremos lá palestrando sobre esse tema. Entre em contato ou compartilhe. Abraços.


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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sacro

"Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais..."

O papel de parede do computador é uma praia, uma pedra gigante, uma montanha congelada no horizonte e ondas suaves debruçando-se na areia.

"Algum dia, é a senha para 'nunca'". Essa foi a frase de um filme do Tom Cruise que vi essa semana. E sabe, ela tem razão.

Algum dia... Completei essa frase de tantas formas. E hoje com a idade e a responsabilidade idiota que recaí sobre nós, jovens de classe média, percebo o quanto dos meus sonhos morrerão comigo. Talvez isso seja culpa de sonhar demais. Talvez seja culpa de um qualquer, de qualquer país, de qualquer profissão, sonhar.

Como nunca lhes prometi textos de auto-ajuda, não me arrependo dessas palavras. Pelo contrário, gostaria que elas contagiassem alguém ao ponto dessa pessoa largar tudo e sair em busca do que sonha. Hoje, eu mesmo não posso fazer isso. Corro o risco do "nunca". Sim, eu sei. Mas corro o risco de outras coisas boas também. Não se pode saber do futuro até lá chegar.

Talvez, amanhã eu acorde diferente. Ou quem sabe...o risco eleve as chances. Todavia o fato é: não vou viver esperando, vou fazer enquanto eu puder o que preciso para simplesmente ir. Quem sabe dê certo e eu seja um velho feliz.


Boa noite.


Lobo

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Momento Repúdio



Leio tanta coisa e vejo um bocado de outras por aí. Para a vida me importa o que se importa da vida. E ao falar em religião me repudia apenas uma coisa: o sincretismo.

Para você que já ouviu falar dessa palavra e não a conhece, o Aurélio te explica:

Sincretismo. 1. Fusão de elementos culturais diferentes, ou até antagônicos, em um só elemento, continuando perceptíveis alguns traços originários. 2 . Reunião artificial de idéias ou de teses de origens disparatadas

Sabe, gnosticismo tem sentido. O ateísmo tem sentido. Agora o que não tem sentido é um religioso abandonar a sua religião e recriar uma própria.

Ele é metade cristão, outra metade espiritualista.
Gosta do rigor da punição, mas como budista repele a culpa.
Acredita em demônios e usa elementos para afastar olho gordo e inveja.
Preserva o Nome do Criador, mas não é extremista.
É feminista e machista.
Partidário e apolítico.
Estuda muito e conhece pouco.
É tudo e ao mesmo tempo é nada.

Odeio o sincretista. Por que não há pudor nisso. Não acredite em nada, ou acredite que há alguma coisa, mas faça um favor a humanidade: se for para acreditar, acredite direito. Não misture tudo. Não seja tudo.

Imagine vestir roupa de gala com de praia. Imagine pentear o cabelo e usá-lo ensaboado. Use sua mente direito. Repudio sincretistas religiosos, respeito a diversidade e amo saber que ela existe. Mas, de coração, juntar tudo em uma panela como desculpa de aceitabilidade é no mínimo um trabalho de preguiçoso.

E você é sincretista? Ou também não tem paciência com essa mistura toda?

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Desabafo de Palavras

Sit please...

Hoje, dia tranqüilo. Por dormir cedo, levantei cedo. E tomei a rotina de um dia produtivo: projeto, trabalho, leitura, estudos. E ainda nem chegou as 18h. Por experiência sei que a noite será cansativa por conta de todo cansaço mental proveniente de um dia assim.

Entre os temas diários: publicidade, psicologia, administração, tecnologia e teologia. Acabo por querer desabafar palavras antes que haja uma implosão no meu pensar.

Fato 01 – O conhecimento desmerecido é o conhecimento tido previamente por um indivíduo como indiferente.
As pessoas costumam julgar previamente o que lhes será útil e o que não será. Sempre que taxam algo por inútil passam a desmerecer isto. Porém, diversas vezes somos indiferentes com muitos temas e assuntos e passamos a desmerecê-los também. Isso só pode ocasionar uma visão parcial ou incompleta e talvez um enorme arrependimento no futuro. Devemos estudar de tudo e ler tudo como se pudéssemos assimilar esse todo por completo? Ousaria tentar uma resposta a essa pergunta com: Claro que não! Porém, há uma ordem de prioridades para o conhecimento que julgamos urgente. Assim organizamos e reorganizamos essa lista conforme o decorrer da nossa vida.

Fato 02 – A religião é um auto-embaraço.
Se você discorda é provavelmente alguém que há tempos não estuda sobre, ou no mínimo se perdeu nos estudos tomando rumo sempre na mesma linha. Encontre uma teoria e encontra uma contra-teoria, uma tese e terá seu correspondente contrário. Invente algo e alguém irá lhe contrapor. Desembarace e encontrá novos novelos na linha que soltou. O conhecimento é assim. Por conta disso muitos desistem, outros se empolgam. Cada um naquilo que lhe convém.

Fato 03 – Felicidade é uma definição temporal.
Projetamos o futuro, só projetamos. Relembramos nosso passado, só relembramos. O presente se reescreve ao vivo. Afinal nosso pensamento é uma constante e não uma massa bruta. Conclusão: O ser humano se define e redefine, assim acontece ao conceito que tem sobre os conceitos da vida.

Por hoje, só.

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domingo, 24 de julho de 2011

O Deus de Perguntas - Um olhar sobre o livro de Habacuque


Questionador! Palavrinha dita por todo e qualquer incompetente que deseja manter suas ovelhas fora do âmbito dos pensamentos. Não fazer perguntas é uma técnica de controle de massas muito antiga, todavia o mais interessante é que religiosos tomam isso como ferramenta muitas vezes. Não sei de todas as religiões, todavia, os cristãos são os que nunca poderiam fazer isso.

Deus ama perguntas, sinceras, emotivas, imcomprensíveis. Deus sempre responde perguntas nos livros bíblicos, e qualquer exceção descoberta prometo render-lhe outro post.

Habacuque, profeta. O primeiro a citar definadamente sobre fé. Provavelmente o primeiro que a entendeu o suficiente para que isso lhe fosse revelada. O seu livro começa como? Perguntas!

Primeiro não consegue compreender a injustiça. Deus lhe responde como irá trazer justiça.


Ele foi esperar então em cima da muralha, na torre.

Segundo não consegue entender a justiça. Deus lhe responde por que iria fazer como decidiu fazer.


Então o pobre entendeu algo simples, mas díficil de se engolir. Ele entendeu que não entenderia por mais que lhe explicasse. Ele entendeu as respostas. Mas ainda não compreendeu o modo de pensar por provavelmente ser apenas um homem e não o Deus Poderoso.

Imagino que naquele torre, viu o horizonte, e começou a se tremer de frio e de medo. Mas confiou, não que entenderia. Confiou que Deus faria algo, e lhe ajudaria a sobreviver a esse algo. Mesmo que faltasse tudo a justiça viria e ele a esperaria ali. Olhando para o horizonte. Confiando. Tendo fé. E com suas perguntas.

No mínimo curioso, mas bastante digno de se pensar. Fica a história para reviver sua imaginação durante a semana. Bom dia.


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